Mielopatia

Mielopatia

Mielopatia é uma doença que compromete a medula espinhal, provocando perda gradual dos movimentos do corpo.[1]

Representa, geralmente, um estágio mais avançado de uma doença na coluna cervical e é, muitas vezes, só é detectada, quando há dificuldade em caminhar devido à fraqueza generalizada ou problemas com equilíbrio e coordenação. Este tipo de processo ocorre normalmente em pessoas mais idosas, que podem ter muitas razões para os seus problemas com o andar ou com os problemas relativos ao equilíbrio. Porém, um dos motivos mais preocupantes quando estes sintomas ocorrem, é que espículas ósseas e outras mudanças degenerativas na coluna cervical podem estar comprimindo a medula espinhal ou as raízes nervosas.

Causas

A Mielopatia é mais comumente causada por estenose espinhal, que é um progressivo estreitamento do canal espinhal. Em estágios mais avançados de degeneração, espora óssea e alterações artríticas fazem com que o espaço disponível para a medula espinhal dentro do canal ósseo seja muito diminuído. A espora óssea pode começar a pressionar a medula espinhal e a raiz dos nervos e essa pressão passa a interferir na função normal dos nervos.

Uma possível causa é o vírus linfotrópico humano de células T do tipo 1 (HTLV-1), porém só ocorrendo em menos de 5% dos portadores crônicos de HTLV-1 com uma frequência duas vezes maior em mulheres. Nesse caso é também chamada de Paraparesia Espástica Tropical [2].

Níveis

Medir o grau de fraqueza vigente pode ser útil para avaliar a gravidade de cada caso de mielopatia. Por exemplo, de acordo com o sistema de Nurick, mielopatia é classificada de acordo com um grau que vai de 0 a 5. O quadro, a seguir, mostra as características de cada caso:
• Grau 0: Sinais e sintomas de envolvimento da raiz mas sem evidência de doença na medula espinhal
• Grau 1: Sinais de doença na medula espinhal mas sem dificuldade de andar
• Grau 2: Leve dificuldade no andar que não impede um emprego de tempo integral
• Grau 3: Grave dificuldade no andar que requer assistência e impede emprego e ocupação de tempo integral
• Grau 4: Capacidade para andar somente com assistência ou com ajuda de um andador
• Grau 5: Confinamento a uma cadeira ou cama.

Sintomas

Alguns sintomas comuns que podem caracterizar que a raiz de um nervo ou a medula espinhal está sendo comprimida são:

  • Dor na sua nuca
  • Dor ou dormência em um ou ambos os braços e mãos
  • Perda de sensibilidade nas áreas afetadas
  • Fraqueza

Sintomas mais avançados incluem:

  • Dificuldades de se mover
  • Enrijecimento dos membros
  • Problemas de vesícula
  • Problemas intestinais

Em casos mais sérios, os músculos que são controlados pela raiz do nervo quando está sendo comprimido pela hérnia de disco, podem se enfraquecer. A dor que sentida na nuca, costas e braços pode resultar de uma combinação de diversos fatores, dentre os quais citamos os seguintes: rasgo no anulo fibroso, pressão que a hérnia de disco exerce sobre o nervo, irritação, inflamação e inchaço dentro do nervo.

Diagnóstico

O diagnóstico de uma hérnia de disco cervical inicia-se com um completo exame da nuca, braços e extremidades inferiores. Seu médico vai examinar sua nuca quanto à flexibilidade, limitação dos movimentos e a presença de certos indicadores que sugerem que as raízes do seu nervo ou da medula espinhal estão afetados pela hérnia de disco.
Isto requer, muitas vezes, que seja testada a força de seus músculos e seus reflexos, para certificar-se de que ainda estão trabalhando normalmente. Muitas vezes você vai ser solicitado a preencher um diagrama que pergunta onde estão ocorrendo seus sintomas de dor, dormência, formigamento e fraqueza.
Uma bateria de raios-X é normalmente solicitada quando um paciente com dor na nuca consulta um médico. É bastante freqüente o raio-x não revelar nenhuma anormalidade, porque o disco é composto por tecido macio que os raios-X não identificam. Em outras situações, onde uma hérnia de disco é a causa provável dos sintomas do paciente, os médicos solicitarão uma RM (ressonância magnética) ou uma TC (tomografia computadorizada).
Uma RM é muito útil para determinar onde ocorreram as hérnias de disco e onde as raízes dos nervos ou da medula espinhal estão sendo comprimidas. Uma TC é, muitas vezes, usada para avaliar a anatomia óssea da coluna cervical, que pode mostrar quanto espaço existe ainda disponível no canal espinhal para as raízes dos nervos e para a medula espinhal.

As raízes dos nervos saem do canal espinhal através de um túnel ósseo denominado foramem neural e é nesse ponto que as raízes do nervo são especialmente vulneráveis à compressão pela hérnia de disco.

Seu médico estará qualificado para expor-lhe, com clareza, o que significa o seu diagnóstico em termos de opções de tratamento.

Para a maioria das pessoas, nas quais não existe evidência de que a fraqueza muscular está relacionada com a compressão da raiz do nervo, a terapia inclui antiinflamatórios não-esteróides e fisioterapia.

A fim de facilitar um repouso para a nuca, é comum prescrever-se um colar cervical suave. Cirurgia para hérnia de disco cervical é indicada como opção preventiva para pessoas que têm evidência de que sua fraqueza muscular é causada pela compressão da raiz do nervo ou da medula espinhal. Procede-se assim, porque a fraqueza muscular é um sinal definitivo de que os nervos estão sendo lesados mais seriamente do que quando a dor é só um sintoma. Aliviar essa pressão nos nervos é mais que uma prioridade, é urgente. Em outras situações, a cirurgia só é recomendada depois de esgotados outros recursos como fisioterapia, repouso e medicamentos sem ter logrado um alívio adequado dos sintomas de dor, dormência e fraqueza.

Coluna vertebral

Coluna vertebral

Curvatura_coluna_vertebralA coluna vertebral é uma parte da estrutura corporal dos vertebrados, caracterizando os animais do grupo dos vertebrados (do latim vertebratus, com vértebra) sendo que estes constituem um subfilo de animais cordados (que possuem medula nervosa espinhal), compreendendo os ágnatos, peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos. Tecnicamente os vertebrados caracterizam-se pela presença de uma coluna vertebral segmentada (várias vértebras) e de um crânio ósseo que lhes protege o cérebro[1].

Nos humanos a coluna vertebral, ou espinha dorsal, é formada quase sempre por 33 vértebras, eventualmente 32 ou 34 vértebras, que são ligadas por articulações diversas entre si que são de dois tipos: uma maior com interposição dos discos intervertebrais na região anterior entre cada vértebra e duas menores atrás, por um duplo par de facetas interarticulares posteriormente, sendo duas facetas voltadas para cima e duas para baixo, formando de cada lado, posteriormente, na vértebra, duas articulações facetárias.

Há especulações sobre o completo movimento da coluna vertebral, porém, mediante vários estudos e pesquisas, foi concluído que alguns ossos da região pélvica posterior, vértebras como o sacro (5 vértebras fundidas) e o cóccix (4 vértebras fundidas), são imóveis. Portanto é sim, correto afirmar que a coluna vertebral não é totalmente flexível, mas sim, somente 75% desta, as vértebras cervicais (7), vértebras torácicas (12) e vértebras lombares (5).

Os discos intervertebrais são constituídos de material fibroso e gelatinoso que desempenham a função de amortecedores e dão mobilidade para nos locomover, correr, saltar, girar o tronco e a cabeça. Cada disco é formado por um núcleo pulposo interno e do ânulo fibroso externo.

Vértebra torácica humana.

Cada vértebra possui basicamente um corpo mais largo , com o formato de um segmento transverso curto de cilíndro, situado na parte anterior da vértebra (exceto na primeira vértebra cervical que não possui corpo vertebral, o atlas). Atrás do corpo vertebral parte de cada lado de sua porção póstero-lateral (na metade superior nos corpos vertebrais das torácicas e lombares) um par de pedículos ósseos. Cada pedículo tem um formato de um cilindro pequeno e irregular, simétrico ao outro pedículo do mesmo nível, bem como unirá a um arco ósseo posterior, formado por um par de lâminas, processo transverso, o processo articular superior e o processo articular inferior. Na junção das lâminas, há a formação de uma outra parte óssea saliente posteriormente, impar e mediano, que é o processo espinhoso que parte do ponto de união posterior entre as lâminas, o qual é projetado para trás até a aponeurose muscular. Um buraco lateral, (forame intervertebral), se forma de cada lado entre cada pedículo das vértebras superior e inferior. Como as vértebras sobrepõe-se umas as outras, a junção delas forma um túnel ósseo desde o crânio até osso sacro, o canal vertebral.

O canal vertebral segue as diferentes curvaturas da coluna;como na ilustração ao lado;ele é largo e triangular nas partes em que a coluna possui mais liberdade de movimento, como nas regiões lombar e cervical; e é pequeno e arredondado na região torácica, onde os movimentos são mais limitados. Neste canal fica abrigada a nossa medula espinhal e por esse motivo ela está protegida.

rx de coluna

Quando a coluna vertebral é observada lateralmente, vê-se pequenas aberturas laterais, estas são os forames intervertebrais. Eles são importantes para permitir que os nervos (sistema nervoso periférico) se comuniquem com a medula espinhal (que faz parte do sistema nervoso central).

Quando é vista de frente a coluna vertebral é reta, e quando vista de lado forma quatro curvaturas, duas delas com a concavidade virada para trás (lordoses) e duas delas com a concavidade virada para a frente (cifoses). Temos assim a lordose cervical (localizada no pescoço), a cifose torácica (ao nível das costelas), a lordose lombar (ao nível do abdómen) e por fim a cifose sacrococcígea, ao nível do da bacia.

As cifoses são curvaturas primárias e são desenvolvidas durante o período embrionário, as lordoses são chamadas de curvaturas secundárias pois são desenvolvidas conforme se assume a postura ereta.

1- Médula espinhal, 2- raiz nervosa espinhal dorsal, 3- gânglio da raiz dorsal, 4- raiz ventral, 5- nervo espinhal, 6 e 7- disco intervertebral (aqui com exemplo de hérnia de disco: a parte vermelha central está herniada póstero-lateralmente sobre raiz nervosa, “4”, provocando compressão dessa), 6- Anulus fibrosus, 7- Nucleus pulposus, 8- Corpus vertebrae

O aumento dessas curvaturas representam quadros patológicos. Sendo: Hiperlordose, cervical ou lombar; hipercifose torácica.

Axis, 2a vértebra cervical – visão posterior.

A região cervical é constituída por sete vértebras localizadas no pescoço. A primeira vértebra se chama Atlas e se articula com o crânio possibilitando flexão e extensão da cabeça sobre a coluna vertebral cervical, bem como suportando seu peso. O Axis é a segunda vértebra cervical e apresenta uma pronunciada apófise vertical (saliência) na sua região anterior que se projeta para cima, chamada apófise odontóide (item 3, na figura) penetrando o plano horizontal do canal vertebral da primeira vértebra, articulando-se com a parte posterior de seu anel anterior. O Atlas não tem um corpo vertebral como a maioria das demais vértebras.

Nos seres humanos a região torácica é constituída por doze vértebras que também servem para a inserção das costelas.

A região lombar é constituída por cinco vértebras maiores e é esta região que suporta todo o peso do tronco, dos membros superiores, do pescoço e da cabeça quando estamos na posição sentada ou em pé. Na região da coluna vertebral lombar na altura entre a primeira e a segunda vértebra ( L1 e L2 ) termina a medula nervosa espinhal dentro do canal vertebral em uma formação conhecida como cone medular. A partir do cone parte um aglomerado de raízes nervosas conhecido como cauda equina. Em pares, as raízes nervosas espinhais estendem-se até a parte lateral do canal vertebral, sendo uma raiz de cada lado, saindo pelo foramen lateral.boom como a coluna vertebral é formada

Abaixo da região lombar, sendo parte da bacia, a região sacrococcígea é composta pelo osso sacro que é resultado da fusão de cinco vértebras. Um de cada lado, este conjunto se articula com os ossos ilíacos do quadril, que se articula com os fêmures.

O osso cóccix é formado pela fusão das últimas quatro vértebras.

Lordose

Lordose

lordoseLordose é um transtorno devido a uma curvatura excessiva da coluna para dentro. Ela difere das curvas normais da coluna nas regiões cervical, torácica e lombar, as quais são, até certo grau, cifóticas ou lordóticas. As curvas naturais da coluna posicionam a cabeça acima da pelve e trabalham como amortecedores de choque para distribuir o estresse mecânico durante o movimento.

A lordose pode ser encontrada em todas as faixas etárias. Ela afeta principalmente a coluna lombar, mas também ocorre no pescoço (cervical). Quando na coluna lombar, o paciente pode parecer excessivamente curvado nas costas, com a região das nádegas mais proeminente, com uma postura em geral exagerada. A lordose lombar pode ser dolorida e algumas vezes afeta o movimento.

Fatores que contribuem para isso

Certos processos de enfermidades podem afetar de modo negativo à integridade estrutural da coluna, contribuindo para a lordose. Algumas causas comuns incluem acondroplasia, discite, cifose, obesidade, osteoporose e espondilolistese.

  • Acondroplasia é um transtorno de crescimento ósseo de herança genética que pode causar um tipo de nanismo.
  • Discite é a inflamação do espaço intervertebral dos discos.
  • Cifose (por ex., a corcunda) pode forçar a parte inferior das costas para compensar uma falta de equilíbrio criada por uma curvatura ocorrida em um nível mais elevado da coluna (por ex., na região torácica).
  • Obesidade pode fazer com que algumas pessoas que estejam com sobrepeso se inclinem para trás para melhorar o equilíbrio. Isso causa um impacto negativo na postura.
  • Osteoporose é um distúrbio na densidade óssea que pode causar perda de força das vértebras, comprometendo a integridade estrutural da coluna.
  • Espondilolistese ocorre quando uma vértebra escorrega para frente em relação a uma vértebra adjacente, geralmente na coluna lombar.

Nem toda a lordose necessita de tratamento médico. Porém, quando a curva é rígida (fixa), uma avaliação médica se faz necessária.

Diagnóstico e Tratamento

Etapas de Diagnóstico

  • Exame Físico

Um exame físico completo revela muito sobre a saúde e as condições físicas do paciente. O médico desejará saber quando a curvatura foi notada pela primeira vez, a progressão no passado e outros sintomas relativos observados pelo paciente. O exame proporciona uma base a partir da qual o médico pode medir a evolução do paciente durante o tratamento. O exame físico pode incluir:

1. Manipulação, para determinar anormalidades na coluna pelo toque. 2. Alcance do movimento, para medir o grau de extensão que o paciente consegue alcançar com relação a movimentos de flexão, extensão, curvatura lateral e rotação da coluna. A assimetria também é observada.

  • Avaliação Neurológica

A avaliação neurológica inclui uma análise dos seguintes sintomas: dor, adormecimento, parestesia (por ex., zumbido), sensação nas extremidades e função motora, espasmo muscular, fraqueza e alterações nos intestinos e/ou na bexiga.

  • Exame Radiográfico (raio X da coluna)

O paciente fica em pé para expor toda a extensão da coluna para realizar o exame de raios X em PA (posterior/anterior, ou frente e costas) e lateral. Algumas vezes são utilizados raios X de curvatura lateral AP para avaliar a flexibilidade da coluna. Pode ser solicitada uma ressonância magnética se a medula espinhal estiver comprometida (ou se houver suspeita). Além disso, o método do ângulo de Cobb pode ser utilizado para medir a curva da lordose em graus, através de um exame de raios X AP panorâmico padrão.

Não Cirúrgico

As medidas do tratamento conservador não cirúrgico incluem: 1. Medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios. 2. Fisioterapia para permitir que o paciente desenvolva força, flexibilidade e aumente o alcance do movimento. O terapeuta pode indicar um programa de exercícios personalizado para ser realizado em casa. 3. Coletes podem ser usados para controlar a evolução da curva em adolescentes. 4. Redução do peso corporal ao nível ideal. 5. A cirurgia pode ser indicada se a curva lordótica for grave com envolvimento neurológico.

Cirurgia da Coluna

A intervenção cirúrgica é indicada se a curva lordótica for grave, quando existe envolvimento neurológico, ou se o tratamento conservador não cirúrgico não foi satisfatório para proporcionar um alívio. Um cirurgião da coluna decide qual procedimento cirúrgico e qual abordagem (anterior/posterior, frente ou costas) será melhor para o paciente. Suas decisões são baseadas no histórico médico do paciente, sintomas e achados radiográficos. São utilizadas diversas opções de tratamentos cirúrgicos. Você deve discutir o que é melhor para sua condição com seu cirurgião.

Recuperação

Seja o tratamento conservador ou cirúrgico, é importante seguir fielmente as instruções do médico ou do fisiatra. Discuta suas preocupações sobre restrições de atividades. Eles poderão sugerir alternativas seguras. A fisioterapia pode ser incorporada no plano de tratamento para desenvolver força, flexibilidade e aumentar o alcance do movimento. O terapeuta pode fornecer ao paciente um programa personalizado de exercícios para casa. Se o paciente realizar uma cirurgia de coluna, serão fornecidas instruções por escrito e prescrição dos medicamentos necessários antes dele sair do hospital. O cuidado com o paciente continua durante as visitas de acompanhamento com o seu cirurgião.